Incêndio Aconteceu em 2013 e matou 242 jovens em Santa Maria no Rio Grande do Sul

Foto Repoduzida do Wikipédia

Foto Repoduzida do Wikipédia

Começou, nesta terça-feira 02/06/2015, na Justiça Militar, o primeiro julgamento de uma das maiores tragédias do Brasil: o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Foi em janeiro de 2013 e 242 jovens morreram. O caso tem dois processos, um na Justiça comum, e esse, na Justiça Militar, contra oito bombeiros.

Os réus estão sendo julgados por crimes anteriores à tragédia, aqueles que teriam colaborado para a casa noturna se manter em funcionamento, mesmo sem as condições necessárias de segurança. Eles começaram a chegar ao fórum por volta das 9h. Os pais das vítimas aguardavam na entrada e colocaram cartazes pedindo justiça, com as fotos das vítimas.

Os pais se mantiveram em silêncio durante a chegada dos militares. Eles reclamaram que poucos conseguiram senha para acompanhar o julgamento. “A audiência é pública, isso aí tinha que ser livre, tinha que ser em um lugar maior, pra todas as pessoas poderem entrar”, desabafa Maria Aparecida Neves, mãe de Augusto Cézar, uma das vítimas. “A gente espera que tenha bom senso no julgamento, que não haja corporativismo e que a justiça seja feita de acordo com a verdade”, completa Rodolfino Vianna, pai de Luana.

Nesta terça-feira, a Justiça Militar ouve a acusação e a defesa de três dos oito réus. São eles o tenente coronel Moisés Fuchs, comandante regional dos Bombeiros na época; o tenente coronel Daniel da Silva Adriano, chefe da seção de prevenção à incêndio; e o capitão Alex da Rocha Camilo, que assinou o segundo alvará da boate.

A tragédia
A madrugada de 27 de janeiro de 2013 marcou para sempre a história de Santa Maria. Os jovens lotavam a boate Kiss, uma das mais conhecidas da cidade. Durante um show da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos acendeu um sinalizador, dando início a uma sequência de falhas que contribuiu para a tragédia.

As investigações policiais apontaram que o sinalizador só era permitido para áreas externas. As chamas que ele liberou atingiram a espuma que fazia o isolamento acústico da danceteria e a perícia apontou que a espuma não tinha proteção contra fogo. O extintor de incêndio mais perto do palco não funcionou e os jovens tiveram dificuldades para escapar das chamas e da fumaça – tinha apenas uma saída e alguns obstáculos, como barras de contenção e os seguranças da casa.

Em contato com a espuma, o fogo liberou cianeto, um gás altamente tóxico e foi a fumaça a principal causa das mortes. Além das 242 mortes, mais de 600 pessoas ficaram feridas. “Eu penso mais antes de fazer as coisas, eu dou valor a cada pessoa que tá comigo. Eu não deixo pra depois o que eu posso fazer agora. Nunca se sabe o dia de amanhã”, diz Delvani

Na Justiça comum, quatro pessoas respondem por homicídio doloso: os sócios da boate,
Elissandro Sphor, o Kiko, e Mauro Hoffmann; e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira: Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão.

Desde o início das audiências, mais de 200 testemunhas de acusação e defesa já foram ouvidas no processo criminal, mas ainda falta um depoimento importante, marcado para o dia 30 deste mês. É o do arquiteto Rafael Escobar de Oliveira, ex-funcionário da Prefeitura de Santa Maria, que apontou 29 irregularidades no projeto encaminhado pela Kiss em 2009. Mesmo assim, a boate foi aberta naquele ano.

Depois do depoimento desse arquiteto, o juiz Ulysses Louzada vai analisar se faz uma acareação, ou seja, se vai colocar testemunhas frente a frente para comparar versões. Ele também não descarta a possibilidade de fazer uma reconstituição. Só depois disso, vai ser marcada a data do interrogatório dos acusados. Enquanto isso, os réus aguardam em liberdade.

Já na Justiça Militar, o julgamento segue na quarta-feira (3), quando vão ser ouvidas a acusação e a defesa de outro cinco bombeiros, sargentos e soldados. A decisão do juiz sobre todos os militares acusados deve sair na própria quarta. Se condenados, eles ainda podem recorrer ao Tribunal de Justiça Militar do estado em liberdade.

A boate funcionava com documentação irregular e estava superlotada, sem Auto de Licença de Funcionamento ( Alvará de Funcionamento )